Como baixar os juros do seu empréstimo? – #CerbasiResponde

Dívidas são um problema ou são uma solução? Para a Cláudia Maria, que mandou uma pergunta com a hashtag #CerbasiResponde em algum comentário de algum post que eu fiz nos últimos dias, dívidas são um problema. Ela pergunta o seguinte: Cláudia, para você e para todos os poucos brasileiros que estão endividados, porque a maioria está muito endividada, vamos falar sobre como resolver essa situação. Na verdade, o que eu quero colocar aqui serve para todo mundo que está muito endividado ou pouco endividado, a questão é: como lidar com os juros que, pareciam não ser algo muito preocupante, algo muito intenso a médio ou longo prazo, mas que com o passar do tempo se acumularam e geraram um problema de, talvez, se tornarem impagáveis? A questão é: os juros são absurdos? Não, os juros não são absurdos por uma razão muito simples, Cláudia: Você aceitou pagá-los quando você aceitou uma proposta de crédito, porque é justamente uma proposta, você não foi ao banco e foi obrigada a pagar esses juros.

É importante entender o que é uma relação de crédito e de quem é o ônus, de quem é a obrigação de uma relação de crédito. De quem é a obrigação de pagar? É sua? É do devedor? Não, a obrigação em uma relação de crédito é do banco, o banco tem a obrigação de avaliar se aquela pessoa que pleiteia uma oportunidade, que pleiteia uma ajuda, terá capacidade ou não de pagar.

Quando o banco avaliou o seu perfil de crédito, sendo o seu perfil de crédito com alguma qualidade ou não, ele sugeriu uma taxa de juros e você falou: “Ok, essa taxa é boa para mim.” Ela não pode ser considerada absurda porque você assinou, você concordou com essa taxa. Você, talvez, acreditou que iria pagar em dia, não conseguiu, está perdendo o controle e agora percebeu que esses juros são impagáveis. Na prática, você não tem obrigação de pagar, você não tem obrigação de pagar. Deve pagar? Sim, você deve pagar. Quando você não consegue pagar, o seu nome vai para um cadastro de inadimplentes, como a SERASA, o SPC, e aí, estando em um cadastro de inadimplentes, você não consegue mais solicitar crédito, abrir financiamento, comprar a prazo, solicitar cartão de crédito, você tem uma série de impedimentos na sociedade e isso vai dificultar muito sua vida, então pagar em dia é algo prudente. Agora, se você não pagar, alguém vai arcar com isso, quem vai arcar com isso? O banco? Indiretamente, o banco, mas quem paga essa conta é justamente, o devedor que paga em dia porque quando se calcularam os juros, se colocou ali a dívida que tem que retornar para o banco, mais um rendimento em cima dessa dívida que é esperado, esse rendimento é uma coisa acima da taxa Selic, do CDI, da referência dos juros da economia, e além desses custos, dessa remuneração que o banco tem que ter, se colocou aquele percentual de valor que devolve ao banco o que os outros, os maus pagadores não conseguem pagar, então você está pagando por você e pelos outros.

É assim que funciona o crédito na categoria empréstimo, que é bem diferente de financiamento, que é quando você tem um bem que garante a operação. Agora, juros absurdos? Não, são juros que refletem o comportamento das pessoas que têm um perfil de crédito como o seu, Cláudia. Tem como negociar? Sim, você tem como negociar, a negociação se faz quitando a dívida. Você tem que sentar com o seu gerente, talvez, e verificar se existe alguma outra forma de obter algum tipo de crédito, por exemplo, levando um documento do seu automóvel e solicitando um refinanciamento do automóvel, até vendendo o automóvel e comprando outro financiado.

Quando você refinancia, quando você vende um automóvel, um imóvel ou parte de um imóvel, você recebe um caixa, você quita aquela dívida mais cara e assume uma nova dívida mais barata, é assim que se negocia. Não existe a negociação do tipo: “Olha, os meus juros estão em 8% ao mês, será que agora você pode reduzir para 6%?” O banco não vai reduzir porque você devedor(a) já aceitou uma taxa mais elevada, então, teoricamente, você tem que honrar aquilo que você assumiu. Na prática, como eliminar isso? Uma organização pessoal em que você vai avaliar, primeiro, o que você pode fazer de caixa no curto prazo: pode vender alguma coisa? Pode fazer horas extras? Se desfazer de alguma coisa que está parada em casa ou até vender algum eletrodoméstico, receber algum dinheiro à vista e comprar outro parcelado, que não precisa ser necessariamente novo.

Às vezes você consegue em um mercado virtual comprar parcelado alguma coisa de segunda mão. Na prática, você vai fazer caixa para propor ao seu gerente uma negociação que se for de uma dívida que vem se acumulando fora de controle, cabe sim uma negociação, você fala: “Olha, estou devendo quanto, R$ 3 mil? A dívida original era de R$ 500 ou de R$ 1 mil. Desses R$ 2 mil de juros, eu consigo algum desconto?” O banco terá interesse em te dar desconto se ele perceber que você está fazendo o melhor que pode para quitar aquele compromisso, eliminar aquele problema e não trazer para o banco um risco, talvez, de ter que vender essa carteira de crédito, terceirizar aquela oportunidade de ganho para uma empresa de cobrança, por exemplo.

Na prática, a negociação só existe quando você demonstra muito boa vontade para fazer da melhor forma possível a quitação daquela dívida. Não havendo essa boa vontade, esse negócio de passar o pires, e pedir que o banco ajude, pedir que alguém alivie a sua situação, na verdade, o que você está demonstrando é uma falta de vontade de honrar com o compromisso que você assumiu, uma promessa que você fez. É interessante, sim, demonstrar essa vontade e quitar o compromisso porque isso vai agilizar a limpeza do seu nome ou a saída do seu nome dos cadastros de inadimplentes, vai facilitar a sua história de crédito e vai manter uma boa relação com o banco porque você estará liquidando a pendência que você tem com essa instituição, provavelmente, conseguirá manter algum relacionamento. Quando o relacionamento apodrecido, ou com dificuldade, se estende por muito tempo, o seu nome fica muito tempo no cadastro de inadimplentes, é improvável que você volte a ter uma boa história, uma boa relação com essa instituição financeira.

Seu nome sai do cadastro de inadimplentes, será mais saudável, talvez, abrir conta, abrir relacionamento em uma outra instituição em um segundo momento. Mas, reforçando um ponto importante, os juros, teoricamente, não são absurdos, porque você concordou com eles. As pessoas, normalmente, são muito otimistas e não fazem as contas do que pode acontecer em um cenário mais desfavorável, em um cenário mais prejudicial para o seu dia a dia de não conseguir pagar as contas e quando vê que a conta se acumula em uma velocidade muito rápida, percebem que aceitar o crédito naquela condição é que foi, na verdade, a atitude absurda. Muito cuidado, boa vontade, organização, um esforço para demonstrar para o banco que você tem vontade, está agindo para liquidar, é um caminho para você aliviar esse compromisso que você tem.

Espero ter ajudado, espero que as pessoas que estão endividadas hoje se proponham a algum sacrifício por alguns meses para eliminar o problema e ter uma vida financeira muito mais tranquila, afinal, enriquecer é uma questão de escolha. Um grande abraço e sucesso a todos! .

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